Lá pelos idos de 60, aos sete anos de idade, comecei os meus estudos primários.
Era um bom menino, mas a escola não tinha nada comigo. A professora era cética e sem esperança. Não podia estimular ninguém. Repeti várias vezes o primário.
Os anos foram passando arrastados, até que chegou o momento de se prestar o exame de admissão para o ginásio. Muitos alunos e poucas vagas nos obrigavam a fazer um cursinho de reforço. Outro desastre.
A timidez aumentava e, desta vez, acompanhada de insegurança. Já acreditava que não era mais capaz de nada. Não conseguia passar de ano, não ia bem nos estudos e nem em escola paga consegui entrar. Uma frustração.
Depois de duas tentativas, consegui vaga em um ginásio técnico para aprender um ofício. Optei pela oficina de pintura, onde tive a sorte de conhecer um dos melhores educadores de toda a minha vida até então: o professor Moacyr.
Foi o principal responsável pela melhora de minha autoestima e pela grande habilidade que desenvolvi em ilustração.
Grande incentivador de minha profissão, foi um dos responsáveis pela minha carreira como publicitário e posteriormente como professor.
Descobri meu potencial e explorei ao máximo. Ao mesmo tempo, me questionava: por que sempre tive tanta dificuldade com os estudos e posteriormente deslanchei?
Toda esta inquietação me fez concluir que nunca em minha vida de estudante, professor algum tinha sabido me ensinar e estimular para enfrentar problemas, a não ser o “grande amigo” Prof. Moacyr, que mudou o rumo da minha história sabiamente.
Percebi que a dificuldade que eu tinha enfrentado com os estudos, em grande parte de minha vida, poderia ter sido diferente, como felizmente o foi, se algum professor enxergasse a necessidade de estímulos diferenciados, para um menino tímido, inseguro e com alguma dificuldade no aprendizado.
Esta reflexão foi muito importante para eu procurar evoluir profissionalmente e, como professor, procurar entender o semelhante e aprimorar a forma de ensinamento.
No decorrer destes quatorze anos que venho ministrando aulas, percebi que tive muita sorte em ter encontrado o meu caminho, pois o fato de ser muito desmotivado, sem uma orientação efetiva, poderia não ter explorado o meu potencial, vindo a me tornar mais um frustrado e morrendo com toda minha capacidade em estado latente.
Vejo também, que esta descoberta não coube a mim fazê-la, mais a um educador atento e capacitado, que cumpriu muito bem o seu papel social e humano.
Sou uma pessoa privilegiada, pois após quatorze anos longe daquele ginásio, onde aprendi a conhecer uma parte de mim estimulado por um atento EDUCADOR, tive a honra e a sorte de encontrá-lo, por acaso, em minha formatura.
Sem nunca esperar uma dádiva como esta, pude dizer, não sei se entendida com toda a profundidade real do fato, que ele fez muita diferença em minha vida pessoal e profissional. Tenho dúvidas se realmente entendeu o que eu falei, ou se achou que era mais uma fala igual a de muitos outros alunos, que teve no decorrer de sua vida profissional.
Aprendi a enxergar, que o verdadeiro educador poderá fazer muita diferença na vida de quem está começando ou continuando os estudos, e, com certeza, saberá ao se aposentar, que viveu efetivamente o privilégio de ter deixado uma grande marca neste mundo terreno.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
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Acabei de assistir uma palestra do preofessor Pachecão e pude confirmar em sua fala as colocações do mestre. Nós professores precisamos, com urgência, mudar nossos paradigmas em relação a "Educação" . Abraços. Beatriz.
ResponderExcluirSe em toda nossa vida profissonal tivermos apenas um aluno que disser que fizemos a diferença poderemos dizer que a missão foi cumprida.Já divulguei seu blog para minhas colegas. Bjs.
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