
De repente, me vejo envolto em nuvens como se estivesse saindo do meio da neblina e ao longe, uma figura estranha caminha em minha direção, carregando nos braços um imenso livro.
Não estou entendendo nada, até que o estranho se aproxima e diz:
- Você me conhece filho?
- Não, mas muito prazer, meu nome é Martins. O que está acontecendo?
- Não é necessário se apresentar filho, sei tudo sobre você, pode ficar calmo que está tudo bem, aliás, poderá ficar muito melhor, depende de você.
Penso: - O que? Cadê todo mundo? O que está acontecendo? Acabo de conhecer o cara, diz que já me conhece e ainda insinua algum tipo de propina! Caramba, não me lembro de ter bebido nada, ou bebi?
- O estranho diz: - Vamos por partes. Primeiro você precisa me confirmar algumas coisas que eu já tenho escrito aqui, mas preciso verificar se existe algum tipo de arrependimento de sua parte. Serão algumas, de dez questões, baseadas em alguns mandamentos que regem a casa.
Começo a ficar irritado. Por um instante a ficha quer cair, mas eu não quero aceitar. - Pera aí moço! Que p... é essa? O estranho diz: - Filho, primeiramente você precisa aceitar algumas condições. Segundo, palavrões aqui expressam raiva, insubordinação, falta de humildade e vão para o cômputo final desta avaliação, pois aqui só a paz e o respeito reinam. Terceiro não sou moço. Meu nome é Pedro.
- Pô, seu Pedro, o que aconteceu? Não vai me dizer que este acontecimento é o que eu estou pensando? Não aconteceu acidente algum para eu estar aqui em frente ao senhor. Fui dormir, não fiz sexo de estômago cheio, não posso aceitar essa situação. Pô, moço, digo Seu Pedro, perdão, São Pedro, é o que eu estou pensando?
São Pedro diz: - Felizmente sim, meu filho. Você terá muita utilidade por aqui, basta me responder às perguntas que eu farei, mesmo sabendo suas respostas, você ainda tem uma chance de se juntar a nós.
Digo: - Que resposta? Que chance? Que aconteceu?
Com toda a Calma, São Pedro diz: - você sempre foi muito prepotente e vivia brincando com coisa séria. Constantemente se referia a um tal tapete vermelho que estaria a sua espera ao chegar aqui, justamente por causa de umas certas pessoas que já estão aqui te esperando, e por sinal, muito felizes por sua chegada.
Primeiramente, você nunca soube se iria vir para cá e muito menos ficar, e ainda quer tapete vermelho? Com sua arrogância as coisas podem ficar muito mais vermelhas e ainda por cima quentes!
- Tá bom moço, digo, São Pedro; faz LOGO as perguntas...
São Pedro diz: - Desesperado como sempre! Tudo tem que ser do seu jeito e rápido. JÁ COMEÇA COM MENOS UM PONTO!
São Pedro diz: - Desesperado como sempre! Tudo tem que ser do seu jeito e rápido. JÁ COMEÇA COM MENOS UM PONTO!
Falo: - Caramba!!!
SÃO PEDRO retruca: - Quer perder mais um ponto, sem responder nada?
- Não! - respondo. - Comece logo com as perguntas.
SÃO PEDRO diz: - vou começar pela décima questão. Desejou coisas alheias?
Digo: - bem, sabe como é, né?...
- Não! - respondo. - Comece logo com as perguntas.
SÃO PEDRO diz: - vou começar pela décima questão. Desejou coisas alheias?
Digo: - bem, sabe como é, né?...
SÃO PEDRO: - Respondida. Menos um ponto.
- Pera aí!!! Estou pensando... nem respondi ainda!
SÃO PEDRO: - Respondeu sim, e vou lembrá-lo que isso aqui não é jogo de poker; quanto mais quiser blefar, mais vai se afundar, e, se não responder como nós esperamos que você responda vai descer.
Digo: - Oba, estou começando a gostar. Quero voltar para a terra logo.
Digo: - Oba, estou começando a gostar. Quero voltar para a terra logo.
SÃO PEDRO: - você não está entendendo nada. Descer, não significa que vai voltar a vida na Terra.
Digo: - Não “seu” Pedro, isso não. Sempre fui um cara bonzinho, nunca...
São Pedro interrompe severamente: Quem julga aqui, de certa forma, sou eu. Não vem dando uma de desesperado nessa altura do campeonato, e ainda por cima de bonzinho. Sei todas suas respostas. Você está tendo a chance de se arrepender. Pense para responder.
E, São Pedro continua: - Lá vai a nona pergunta. Pare e pense, seu desesperado. Já desejou a mulher do próximo?
Filosofei. Dr., Sabe como é, né? Na Terra, tem muito próximo que se ausenta e como sou um Oliveira, eu... NUNCA faria isso.
E, São Pedro continua: - Lá vai a nona pergunta. Pare e pense, seu desesperado. Já desejou a mulher do próximo?
Filosofei. Dr., Sabe como é, né? Na Terra, tem muito próximo que se ausenta e como sou um Oliveira, eu... NUNCA faria isso.
SÃO PEDRO: Fecha essa boca seu depravado. Em uma só pergunta, já me respondeu também a oitava questão. MENTIROSO.
SÃO PEDRO: Já vi que com você, não adianta perder meu tempo. Vou fazer a última pergunta e já faço seu julgamento em primeira e última instância.
- Pera aí, moço! Sou bacharel em direito e conheço muito bem as minhas prerrogativas. Não posso ser julgado em apenas uma instância e ...
SÃO PEDRO: - Vai reclamar para o Bispo! Pensando bem, não vou perder mais meu tempo com você. Não demonstrou humildade, muito menos se arrependeu do que fez. Foi tudo consciente. Vai descer.
Digo: - Descer não, pelo amor de Deus!
SÃO PEDRO: - OUTRO PONTO PERDIDO. Respondeu a SEGUNDA questão sem eu nem perguntar. Disse o nome de Deus em vão. Desce, desce já...
Aí, bateu um grande desespero, pois eu acabava de entender a verdadeira dimensão de minha prepotência, arrogância e desejos terrenos. Percebi que em toda a minha vida me sobrepus aos mandamentos de Deus.
- Dá uma chance para mim São Pedro, descer não. Dá mais uma chance, descer não, me dá mais uma chance.....
Sinto uma mão em meu ombro me chacoalhando com força e eu penso: - Não quero dar de cara com ELE..., não, não. A mão me chacoalha cada vez mais forte e ao longe escuto uma voz dizendo:
- Acorde, Martins, acorde! Está tendo um pesadelo.
Assim que eu me recupero do susto e acordo de verdade, faço um juramento: - Juro por..., não, não..., não juro por nada. Acabo de ter novamente a chance da minha vida. Espero aproveitá-la....


